terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Documentário "Ferrovia Oeste de Minas: Memória e História" (TRAILER)

Este documentário contou com o apoio do Núcleo de Estudos Oeste de Minas da ABPF.





O Instituto Histórico e Geográfico de São João del-Rei, ao longo de 2010, desenvolveu o projeto "Ferrovia Oeste de Minas: Memória e História". Deste projeto, foi lançado um documentário com o mesmo nome versando sobre a cultura ferroviária em São João del-Rei. Aqueles que se interessarem em receber uma cópia do documentário, totalmente gratuito, basta preencher o formulário neste link: http://www.ihgsaojoaodelrei.org.br/?Pagina=contato informando NOME, E-MAIL, TELEFONE (este não é obrigatório) e, no campo "MENSAGEM" você deve escrever que quer receber uma cópia do documentário "Ferrovia Oeste de Minas: Memória e História" e colocar endereço completo.

NÃO SE ESQUEÇA DE INFORMAR ENDEREÇO COMPLETO!! 

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quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Conheça o trabalho da ABPF


O curta-metragem Preservação Ferroviária no Brasil é um ensaio para um projeto de maior envergadura, ligado a ferrovias, idealizado pelos produtores da VIA WEB TV, Edson Piron e Andrei Schoba.

As imagens do curta foram captadas no antigo sistema VHS, entre 1989 e 1990, com o intuito, à época, de se criar um registro histórico para a Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF). Isso não foi levado em frente e, a partir dessas cenas com mais de 20 anos – jamais utilizadas – e de um roteiro escrito há uma década, recuperou-se parte da memória dos trabalhos pioneiros de preservação ferroviária no Brasil.

sábado, 20 de novembro de 2010

NEOM na VFCJ



No último feriadão o Núcleo de Estudos Oeste de Minas visitou a Viação Férrea Campinas-Jaguariuna, representado pelos associados Jonas Augusto e Welber Santos. Não há melhor lugar no Brasil do que a sede da Associação Brasileira de Preservação Ferroviária para se falar sobre o assunto preservação ferroviária.

Além de participar ativamente da equipagem da locomotiva de Carlos Gomes, que faz o trem Jaguariuna-Tanquinho, pintamos o número 215 que faltava no areieiro da primeira locomotiva restaurada pela ABPF para a inauguração do trem da VFCJ nos anos 80.

Um dos objetivos do NEOM é prestar assistência visual às locomotivas originárias da E. F. Oeste de Minas, da Rede Sul Mineira e, por consequência, da Rede Mineira de Viação/Viação Férrea Centro-Oeste que, por ventura, estejam sob os cuidados da ABPF. Na VFCJ temos as ten-wheeler 210 (EFOM 24, EFOM 105, RMV 210, VFCO 210) e 215 (EFOM 19, EFOM 110, RMV 215, VFCO 215), a pacific 338 (EFOM 170, RMV 338, VFCO 338), a consolidation 222 (EFMuzambinho 67, RSM 222, RMV 431, VFCO 431) e a mikado 505 (RSM 314, RMV 505, VFCO 505).

Isso não quer dizer que não nos interessamos pelas outras, pelo contrário. Isso se reflete no fato de que "nossa" máquina na última visita foi a bela ten-wheeler da Companhia Paulista de Estradas de Ferro, a 604 (BLW #14255 de abril de 1895).

Jonas polindo as válvulas de segurança.

Não ficou uma perfeição, mas já deu uma clareada no painel.

Últimos retoques antes de acender o monstrengo, já abastecido de lenha.

Deixa a pressão subir, 150lbs/pol² é o limite!

A valvula de segurança dispara, enquanto o compressor de ar faz tremer o manometro, balançando o ponteiro.

E o trem tem que andar. Maquinista Jonas Augusto no comando.





Agora a 215 tem número no areieiro. Trabalho de Jonas Augusto e Welber Santos.


sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Documentário sobre a ABPF

Documentário sobre a ABPF - Associação Brasileira de Preservação Ferroviária - editado pela VIA WEB TV, utilizando imagens capturadas entre 1989 e 1990 na VFCJ - Viação Férrea Campinas a Jaguariúna e no funincular na Serra do Mar, em Paranapiacaba.



Este documentário recupera parte da memória dos trabalhos pioneiros de preservação ferroviária no Brasil.

domingo, 26 de setembro de 2010

5000 visitas!!!!

Há pouco mais de 10 meses iniciamos este blog no intuito de divulgar o conhecimento acumulado pela ASPEF acerca da Estrada de Ferro Oeste de Minas (EFOM). Em janeiro nos tornamos parte da ABPF, como Núcleo de Estudos Oeste de Minas. Hoje, 26 de setembro, recebemos a visita de número 5000!!!

Agradecemos a todos pela atenção e divulgação que vêm dado ao blog e convidamos a continuar nos visitando!

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

EFOM completa 129 em 28/08/2010

A Estrada de Ferro Oeste de Minas (EFOM) completa 129 anos de operação no próximo sábado, 28 de agosto de 2010.

No dia 28 de agosto de 1881 era inaugurada, com a presença do então Imperador D.Pedro II, a Estrada de Ferro Oeste de Minas que contava então com as estações de Sítio, Barroso, São José del-Rei (posteriormente Tiradentes) e São João del-Rei e ainda, seu material rodante, contava com: “quatro locomotivas, quatro carros de primeira classe, quaro de segunda, um de luxo, dois de bagagens, dois de animais, quinze vagões fechados, dez abertos e um carro guindaste”.

PARABÉNS À EFOM!!!!

terça-feira, 17 de agosto de 2010

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

A VELHA LOCOMOTIVA

Por: Daiane Kowaleski Miranda

A velha locomotiva a vapor rangia em seu suplício de aço a que era novamente submetida. Homens chegaram e a amarraram com grande pressa em cabos de aço e, aos gritos, corriam freneticamente pra lá e pra cá, alguns com ferramentas e mãos sujas da imundície acumulada em sua superfície metálica, outros gritavam ordens.

A locomotiva sofria. Estava certa de que esse seria seu fim. Sabia o destino que tiveram suas irmãs. Lembrava com pavor do brilho do maçarico cortando muitas outras locomotivas, carros e também vagões. Agora tinha certeza de que teria semelhante final.

Despiram-na de suas braçagens. Retiraram várias de suas peças e as colocaram em caixas. Um grande caminhão plataforma se aproximou.

Era chegada a hora. Os rangidos de seu metal cansado e enferrujado demonstravam sua agonia. Não tinha como lutar. Há muito tempo fora colocada em um pedestal, que se tornou seu leito de morte. E lá ela morreu, completamente só.

Naquele momento, quando foi içada para cima da carreta, lembrou de todos esses momentos, desde deu auge na ferrovia até seu sucateamento. Lembrou de seu maquinista, senhor risonho, sempre muito cuidadoso. Lembrou também das belas paisagens por onde passava, das pessoas que carregava, do sorriso das crianças... Lembrou ainda do pesar dos funcionários da ferrovia quando foi retirada do tráfego. Sua memória refez a linha do tempo, acreditava ela, pela última vez.

Levaram-na. O caminhão que a transportava andou durante todo dia. Já era de tardinha quando parou. Estavam em frente a uma antiga estação.

Suada com a brisa fria da tarde, foi retirada de cima da plataforma do caminhão e colocada com cuidado nos trilhos.

Surpresa, a locomotiva viu ao seu redor outras locomotivas a vapor. E grande parte delas estava em ótimo estado e seus metais rebrilhavam ao sol da tarde. Mais surpresa ficou ainda ao ver na sua frente mais adiante, uma grande vaporosa acesa, arfando, chegando perto. A máquina que se aproximava cumprimentou-a com um vigoroso apito e parou a alguns metros.

Que lugar era aquele onde máquinas como ela ainda funcionavam? Viu os mesmos homens que retiraram suas braçagens e peças cercando-na. Sentiu uma pontada aguda. Estavam remontando os componentes.

Durante vários dias teve sua chaparia trocada, partes que haviam sido roubadas foram repostas. Seus tubos, fornalha e caldeira foram consertados e, por último, foi repintada.

Em um ato quase solene foi reacesa. O fogo voltou a arder em sua fornalha. Sentia a água e o vapor circularem em seu interior. Seu compressor de ar chiava, como uma respiração profunda.
A locomotiva moveu-se por alguns metros. Sentiu golfadas de vapor quente invadirem seus cilindros. Quase se esquecera de como era movimentar-se.

A mão suave do maquinista foi a extensão de sua vontade. O apito ecoou longo e lamentoso nos barracões e na fileira de seringueiras mais adiante, mas expressava sua imensa alegria e exaltava seu renascimento.

O apito desencadeou vivas e palmas dos presentes que a cercavam. Um dos homens saiu do meio do grupo, com uma reluzente placa de metal nas mãos. Em dourado, com fundo vermelho, estavam impressas quatro letras. A placa foi fixada na lateral de sua cabine.

A grande Mikado que estava na sua frente recuou ruidosamente. Retornou trazendo três carros de madeira, lindíssimos em seus detalhes. Depois do desengate, seguiu para um desvio próximo.

Dócil ao comando do maquinista, a locomotiva engatou os carros e os tracionou por pelo menos um quilômetro. Voltaram à estação em seguida. Os carros desacoplados foram novamente manobrados pela locomotiva que aguardava no desvio.

Novamente a euforia tomou conta do grupo que observava atentamente. Essa mesma euforia também invadiu a renovada locomotiva. Mais adiante avistou um letreiro. Agora entendia o que aquelas quatro letras da placa em sua cabine significavam. Agora sabia o nome de seu destino. No letreiro estava escrito: “ABPF – Associação Brasileira de Preservação Ferroviária”.

Daiane Kowaleski Miranda
Pesquisadora Ferroviária da ABPF
Ijuí, RS – 13/08/2010

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Locomotivas “Vauclain Compound” na E.F.O.M.

Por: Jonas Augusto Martins de Carvalho


A Estrada de Ferro Oeste de Minas – E.F.O.M. possuiu ao todo 60 locom
otivas na bitola de 0,76m, sendo 23 4-4-0's das quais apenas uma não era Baldwin, tendo sido fabricada pela própria E.F.O.M., 15 4-6-0's todas Baldwin e 22 2-8-0's, sendo 3 ALCO, uma fabricada pela E.F.O.M. e as demais Baldwin.

O prolongamento da E.F.O.M. além de Divinópolis, levou a diretoria da Estrada a adquirir locomotivas Baldwin do sistema Vauclain Compound devido à economia de combustível que esse sistema representava. Adquriu-se então 20 Vauclain Compound entre 1891 e 1894. Ao que parece, elas não foram totalmente satisfatórias, o que se comprova no fato das diversas modificações realizadas nestas locomotivas. 


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Locomotiva n°17. (Baldwin nº11594 de deze mbro de 1891) A primeira Vauclain Compound da E.F.O.M.. Foto: Baldwin Locomotive Works - Acervo ABPF/NEOM

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A número 17 (futura RMV 16), uma 4-4-0, com cilindros H.P. de 7” e cilindros L.P. de 12” e a número 18 (futura RMV 15), uma 4-6-0 com cilindros H.P. de 71 / 2” e cilindros L.P. de 12” compradas em 1891 foram as pioneiras. A 18 foi a única Vauclain Compound 4-6-0 comprada e em 1922 seus cilindros já tinham sido modificados para 7” e 13”, aumentando o seu coeficiente de expansão de 2,56 para 3,45, o que conseqüentemente alterou o equilíbrio das forças na cruzeta. A 4-4-0, com um coeficiente de expansão de 2,94 deve ter sido mais satisfatória e mais 3 foram compradas em 1892 e 1894 e sobreviveram, pelo menos até 1922 sem modificações. Ainda na década de 1920/1930 todas foram transformadas em simples expansão.


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Locomotiva n°18. A única 4-6-0 Vauclain Compound da E.F.O.M.. Posteriormante esta locomotiva foi transformada em 4-4-0 de simples expansão e recebeu o número 15. Foto: Baldwin Locomotive Works - Acervo ABPF/NEOM

Apesar dos aparentes problemas com a n° 18, três 4-4-0 foram adquiridas ainda em 1892, com cilindros H.P. de71 / 2” e cilindros L.P. de 12”,não sendo mais bem sucedidas do que a 4-6-0 cujos cilindros originais eram idênticos. Diante da deficiência no parque de tração da bitola métrica, em 1905 duas dessas locomotivas, as nº20 e nº 22, foram convertidas para bitola de 1m e simples expansão, recebendo os números 2 e 6 respectivamente e, a terceira teve seus cilindros modificados para 7” e 13”, como a 4-6-0. Esta locomotiva também foi transformada em simples expansão posteriormente.
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Locomotiva n°29. Representante do lote de locomotivas 2-8-0 Vauclain Compound adquiridas em 1893. Posteriormente renumerada com nº208 e finalmente como nº58. Após anos de pesquisa, nenhuma fotografia destas locomotivas em sua condição original foi encontrada, restando-nos então desenhá-la conforme informações e fotografias de outras locomotivas. Desenho: Jonas Augusto - ABPF/NEOM

Ainda em 1892 foram compradas seis 2-8-0 Vauclain Compound com cilindros H.P. de 8” e cilindros L.P. de 14”. Mais quatro foram compradas em 1893. Estas também não parecem ter sido totalmente satisfatórias, sendo que duas 2-8-0 foram compradas em 1894 com cilindros H.P. de 9” e cilindros L.P. de 15”, reduzindo a taxa de expansão de 3,06 para 2,78. Uma das 2-8-0 anteriores, mais tarde, teve seus cilindros L.P. aumentados para 15”, aumentando a taxa de expansão para 3,52.





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Locomotiva nº 24, futura nº204, por fim nº54. (Baldwin nº12637 de abril de 1892) originalmente Vauclain Compound, nesta foto de 1910 já aparece transformada em simples expanção. Foi baixada na década de 1960 em Divinópolis. Foto: André Bello - Acervo ABPF/NEOM

Para o funcionamento correto da cruzeta sobre os paralelos, é necessário que as forças aplicadas pelos dois cilindros sejam o mais iguais possível, o que entretanto não acontecia na prática. Essa diferença de esforço realizado pelos cilindros acarretava em um desgaste desigual da cruzeta, o que levava a locomotiva freqüentemente às oficinas. Outro aspecto negativo era a complexidade do conjunto de válvula e da válvula auxiliar de partida, o que também levava a um aumento dos custos de manutenção, resultando na anulação da economia obtida com o uso mais racional de combustível, ou seja, o custo de manutenção era mais elevado do que a economia que o sistema proporcionava em termos de uso de combustível.



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Locomotiva nº 12. (Baldwin nº12660 de maio de 1892) originalmente Vauclain Compound, nesta foto de 1935 já aparece transformada em simples expansão. Foto: Acervo ABPF/NEOM

Em 1922, sete das doze Vauclain Compound 2-8-0 já tinham sido convertidas em locomotivas de simples expansão com cilindros de 13” padrão, como as novas 2-8-0's de simples expansão que tinham sido adquiridas. A locomotiva nº55 (antiga 26) possui uma placa em seus cilindros de simples expansão onde lê-se"Modificada, Divinópolis, junho de 1931" e a nº58 “Modificada na Officina Divinópolis 31-10-1937”.
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Locomotiva nº16. Fim da linha para a primeira locomotiva Vauclain Compound da E.F.O.M.. Nesta foto do início dos anos 1970 a locomotiva 16 (original 17) aparece na famigerada linha da morte no pátio da estação de São João del-Rei. Pode-se observar o cilindro de simples expansão. Foto: Benito Mussolini

A única locomotiva que permaneceu Vauclain Compound de que se tem notícia é a nº 71, uma 2-8-0 de 1894. Ela teria sido mantida na configuração original para tracionar o trem especial de lenha, uma composição pesada que percorria uma longa distância, uma vez que a lenha era extraída na região de Barra do Paraopeba tendo como destino os depósitos, como Divinópolis, Aureliano Mourão, São João del-Rei entre outros. Justamente pela principal característica do sistema Vauclain ser a economia de combustível, nada mais plausível do que utilizar uma locomotiva deste tipo para realizar um trajeto tão longo e com uma grande lotação. Na década de 1960, como praticamente todas as locomotivas já haviam sido convertidas para queima de óleo, a nº71 perdeu sua principal função, sendo sucateada nos anos seguintes.

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Locomotiva nº 71. Após anos de pesquisa, esta foto bem desgastada pelo tempo, tirada no final da década de 1940 é a única encontrada desta locomotiva. Pode-se observar os cilindros Vauclain Compound originais, bem como a distribuição interna. Nesta época, as demais Vauclain já haviam sido transformadas em simples expansão.Foto: Acervo ABPF/NEOM

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Hoje, nenhuma das locomotivas compound sobreviveu em sua configuração original, inclusive com a distribuição interna modificada para distribuição Walschearts. Na década de 1920 e 1930, as locomotivas foram reconstruídas em Divinópolis em um padrão comum de simples expansão, sendo que algumas receberam também a distribuição externa. As locomotivas 12, 13, 14, 15, 16, 17, 53, 54, 56, 57, 59 e 61 permaneceram com a distribuição interna até suas baixas.
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