quinta-feira, 7 de março de 2013

Engenheiro Joaquim Lisboa

Este artigo é de autoria do Eng. Marcelo Teodoro de Oliveira
Leitor deste blog que gentilmente o cedeu para publicação

Joaquim Miguel Ribeiro Lisboa (*21/08/1842 Niterói, RJ + 08/07/1894 Rio de Janeiro, RJ)

O engenheiro Joaquim Miguel Ribeiro Lisboa era filho de Miguel Maria Lisboa (* 22/05/1809 Rio de Janeiro, RJ + 28/04/1881 Lisboa, PT) casado com sua prima Maria Izabel de Andrade Pinto (Lisboa) (* 29/06/1822 Rio de Janeiro, RJ + 04/01/1904 Madri, ES), Barões de Japurá (17/07/1872), neto paterno do conselheiro José Antonio Lisboa (+ 29/07/1850), Ministro da Fazenda do Império a 02/10/1830, e Maria Euphrasia de Lima Marques Lisboa (* Porto Alegre, RS), neto materno do conselheiro João José de Andrade Pinto e de Maria José Soares de Paiva. Sua avó Maria Euphrasia era irmã do Marquês de Tamandaré, almirante Joaquim Marques Lisboa (* 13/12/1807 Rio Grande, RS + 20/03/1897 Rio de Janeiro, RJ), que casou-se com Maria Euphrasia Lisboa, irmã do Barão de Japurá. Era irmão da Marquesa de Acapulco Maria Euphrasia de Andrade Lisboa (* 17/06/1839 Santiago, Chile + 1/05/1919 Madrid, ES), casada com D. Mariano del Prado y Marín (+ 17/10/1891), VII Marquês de Acapulco (título espanhol).

- Conselheiro José Antonio Lisboa, Marquês de Tamandaré e Barão de Japurá

Foi casado com D. Maria da Glória Machado Nunes (Ribeiro Lisboa) e teve os seguintes filhos:

- Cândida Machado Lisboa (de Avelar Figueira de Mello), casada com o diplomata Jerônimo de Avelar Figueira de Mello (* 15/04/1879 Petrópolis, RJ + 21/12/1947), neto do Visconde de Ubá;
- Carmen Machado Lisboa (Nin Ferreira), que casou-se com Raul Nin Ferreira;
- Manoel Arrojado Lisboa;
- Nina Lisboa;
- Alice Lisboa;
- Maria Herminia Lisboa;
- Miguel Arrojado Ribeiro Lisboa (* 1872 Rio de Janeiro, RJ + 1932 Rio de Janeiro, RJ), que casou-se com Hermínia da Silva Costa (Ribeiro Lisboa).
Entre 1870 e 1871 elaborou os estudos finais comparativos entre os traçados pelas gargantas João Ayres e Bocaina do prolongamento da E. F. D. Pedro II, juntamente com o engenheiro Antonio Augusto Fernandes Pinheiro, ficando demonstrada técnica e economicamente a vantagem da passagem por João Ayres.

Joaquim Miguel foi encarregado do projeto e construção da estrada de ferro da Cia. Mogiana, uma das estradas em condições “mais econômicas e favoráveis”, e era seu engenheiro chefe à época em que a Mogiana chegou a Uberaba, cuja estação foi inaugurada em 23/04/1889. Trabalhou no prolongamento da Mogyana pelo menos até 1892. Escreveu “A exploração do ferro de Tupinamburanas de Ramos e rios Sarara e Atrenan” (Rio de Janeiro, 1870) e “Relatório: Estrada de Ferro d’Oeste de Minas – A Sua Magestade a Imperatriz: Apontamentos sobre a Estrada de Ferro d’Oeste de Minas” (Agosto de 1881. Rio de Janeiro: Typ. De Soares & Niemeyer). Nesse último, o engenheiro Lisboa apresenta os dados da construção da linha, funcionamento provisório de metade da primeira seção da via férrea, e justifica as opções técnicas adotadas para a via, como a bitola, inspirada na Ffestiniog Railway, localizada em Gwynedd, País de Gales, uma ferrovia de 22km e bitola 1’ 11½” (597mm). Apresentou anexas as opiniões do engenheiro norte-americano W. Milnor Roberts e de um viajante brasileiro anônimo que escreveu de Paris depois de ter mudado de idéia sobre a adoção da bitola mais estreita. Apesar de parecer um detalhe sem muita importância, pode dizer muito sobre as dificuldades financeiras para a realização do empreendimento.

Era membro do Institution of Civil Engineers (MICE). Em 01/08/1881, o engenheiro Lisboa deu início à implantação, com projeto do eng. Francisco Pereira Passos, da ferrovia da Companhia Estrada de Ferro Príncipe do Grão-Pará, ligando o Rio de Janeiro a Petrópolis, no sistema Riggenbach, de cremalheira, em conjunto com o engenheiro Marcelino Ramos da Silva, que chefiou a construção da Estrada de Ferro do Corcovado, iniciada em 1883.

- Capa do álbum sobre a E. F. Príncipe do Grão-Pará, 1.883 (autor: Marc Ferrez)
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Brasão de Armas do Barão de Japurá: Escudo esquartelado: no primeiro quartel, as armas dos Ribeiros, - de ouro, com três faixas verdes; no segundo as armas do Soares de Oliveira, - de azul com uma aspa de prata entre quatro flores de liz de ouro; no terceiro, as armas dos Limas, - um escudo dividido em três palas, na primeira as armas dos Aragão, - de ouro, quatro barras vermelhas, e nas duas outras palas, o escudo esquartelado dos Silvas; em campo de prata, um leão de púrpura armado de azul, com o de Souto-Maior, que é em campo de prata enxequetado de ouro de vermelho, de três peças em pala; no quarto quartel, as armas dos Pais – em campo de prata, nove lisonjas em três palas enxequetadas de azul e vermelho. TIMBRE: dos Oliveiras, a aspa de prata e flor de liz de ouro das armas, e por diferença um castelo de prata em campo azul. (Brasão passado em 20 de Agosto de 1848. Reg. no Cartório da Nobreza, Liv.VI, fls.7).
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Seu filho Miguel Arrojado Ribeiro Lisboa foi diretor da E. F. Central do Brasil de 21/11/1914 a 07/02/1917, e foi um incentivador da mineração no país. Formou-se na Escola de Minas de Ouro Preto em 1894 como Engenheiro de Minas e Civil, e geólogo. Participou em 1.907 da Comissão Schnoor de reconhecimento do traçado da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, a qual corta o extremo nordeste do Planalto da Bodoquena, apresentando (Rio de Janeiro, 1909) um trabalho pioneiro sobre a geologia do oeste de São Paulo e sul de Mato Grosso, incluindo geologia, indústria mineral, clima, vegetação, solo agrícola, indústria pastoril. Também deve-se a este geólogo a correlação dos calcários pré-cambrianos ali presentes com os de Corumbá, já conhecidos há mais tempo, em função do acesso à região através do Rio Paraguai. Escreveu vários trabalhos sobre geologia e ocupou vários cargos em entidades federais, como o primeiro Inspetor Geral de Obras Contra as Secas (1909-1912 e 1920-1927), atual DNOCS, quando realizou importantes observações geológicas por todo o Nordeste do Brasil com pesquisas sobre a realidade concreta do meio e sobre aspectos sociais da região assolada pelas secas, visando adquirir dados confiáveis para nortear um programa de combate aos efeitos das secas, iniciando, por exemplo, a coleta sistemática de dados pluvio-fluviométricos a partir de 1911. O mineral arrojadite (fórmula KNa4CaMn4Fe10Al(PO4)12(OH,F)2), encontrado em Picui, na Paraíba, e em Galiléia e Sapucaia, Minas Gerais, foi assim denominado em sua homenagem. Também há em S. Paulo uma rua com seu nome, no bairro Jardim Modelo.

Obras de Miguel Arrojado:
“Occorrencia de seixos facetados no planalto central brasileiro”, 1906
“Bibliographia mineral e geologica do Brasil 1903-1906”, 1906
“Nomenclatura geologica: gres e arenite, schisto e folhelho”, 1907
“Estrada de ferro Noroeste do Brasil, commissão E. Schnoor. Oeste de S. Paulo, sul de Mato-Grosso, geologia, industria mineral, clima, vegetação, solo agricola, industria pastoril”, 1909
“O Problema do Combustível Nacional”, 1916
“Relatório preliminar sôbre as jazidas de minérios de manganês e ferro de Urucum“, 1918
“As perspectivas da engenharia nacional: discurso”, 1926

Para a genealogia do engenheiro Joaquim Miguel ver:
http://pt.rodovid.org/wk/Pessoa:124870
http://www.myheritage.com.br/person-1001934_151424582_151424582/joaquim-miguel-ribeiro-lisboa-pc15#!events

Para a genealogia de Jerônimo de Avelar ver “Genealogia Sobralense – Volume IV – Os Ferreira da Ponte – Tomo X”, por Assis Arruda, disponível em http://www.genealogiasobralense.com.br/
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