segunda-feira, 31 de maio de 2010

A Locomotiva a Vapor (aka: "maria fumaça") parte 1

http://www.trilhosdooeste.blogspot.com/
Por: Welber Santos

A grande fascinação exercida pela estrada de ferro no imaginário popular foi, em grande medida, resultado do impacto audiovisual da locomotiva a vapor.

O mais extraordinário veiculo ferroviário, por excelência, é o resultado industrial do casamento de dois elementos naturais, de forma sistematizada, para criar energia motriz. É a união do fogo e da água que faz com que a locomotiva construída em madeira, ferro e aço, além de outros metais como cobre e bronze, seja exatamente uma... locomotiva.

O papel primordial das locomotivas era substituir a força animal nos carris empregados nas minas de carvão inglesas. Usualmente credita-se a Richard Trevithick a utilização inicial de locomotivas a vapor como agente propulsor de carros. Em 1801 ele construiu uma carruagem que não necessitava de cavalos, utilizando um motor a vapor no que pode ser considerado um ancestral dos automóveis, o nome da peça era The Puffing Devil. Logo, em 1803, realizou em Londres uma exposição de sua nova máquina, a London Steam Carriage, que, por ser muito onerosa em relação às tradicionais carruagens puxadas a cavalo, acabou não obtendo muito sucesso. No ano seguinte construiu o que pode ser chamado de "a primeira locomotiva para trilhos", que utilizou em minas do País de Gales, mas que também não obteve grande êxito devido ao excesso de problemas técnicos logo apresentados. Em 1808 fez uma demonstração de sua máquina chamada Catch-Me-Who-Can, em Londres.

Catch-Me-Who-Can em demonstração em Londres

Em 1814, George Stephenson construiu a Blucher, sua primeira locomotiva, destinada a transportar carvão em minas, que obteve grande êxito. O desenvolvimento da Blucher levou Stephenson a ser convidado para construir uma ferrovia de 13km entre Hetton e Sunderland, onde seria empregado o uso de locomotivas a vapor, sendo o primeiro caminho de trilhos com ausência total do emprego de animais para tração. Logo em seguida, 1821, veio o projeto para a estrada de ferro entre Stockton e Darlington, em que seria empregada a força animal para puxar as diligências, no entanto, Stenphenson convenceu a diretoria do projeto a mudar os planos e optarem pela força mecânica artificial. Para o trabalho na ferrovia de Stockton e Darlington, ele construiu uma locomotiva a que chamou de Active, mas logo renomeou como Locomotion.

Em 27 de setembro de 1825 era inaugurada a ferrovia, e a Locomotion puxou 80 toneladas de carvão e mais o carro Experiment, era a primeira experiência ferroviária com passageiros.

Locomotion, a precursora para o transporte ferroviário de passageiros

Em outubro de 1829 foi realizado um concurso para saber quem seria o construtor das locomotivas da ferrovia de Liverpool a Manchester, e quem venceu foi Stephenson com a sua mais famosa locomotiva, a Rocket. No currículo da moça conta a morte do parlamentar inglês, William Huskisson, de Liverpool, fato que entristeceu a inauguração mas não tirou o brilho do estrondoso sucesso da ferrovia.

A Rocket consolida o desenvolvimento das locomotivas ferroviárias

Mal se experimentou a utilização das locomotivas a vapor na Europa e a primeira locomotiva foi construída nos Estados Unidos. Em 1830, era inaugurada no leste norte-americano a South Carolina Canal & Railroad Company, com a locomotiva Best Friend Of Charleston.

Best friend of Charleston, o início da indústria ferroviária que dominaria o mundo

Ao se iniciar na América do Norte a construção, apropriação e particularização no desenvolvimento técnico de locomotivas, independentemente da Europa, a indústria de bens de capital se viu como um dos propulsores do desenvolvimento tecnológico fora do velho mundo. A ex-colônia tornou-se concorrente industrial da super metrópole britânica, neste momento (meados do século XIX) pelo menos no setor ferroviário, como que servindo de aviso para o poderio que estava por vir no século seguinte.

Ainda na década de 1830, Mathias Baldwin iniciou a produção artesanal de máquinas a vapor para as nascentes ferrovias americanas. Sua fábrica tornou-se a maior construtora de locomotivas a vapor do mundo. Além de atender todo o mercado interno com suas locomotivas, ainda exportava para boa parte do mundo conhecido, até mesmo o Japão.

American Standard, tipo que definiu o modelo da locomotiva a vapor norte-americana por excelência, permitindo a diferenciação dos padrões entre América e Europa

No Brasil, a primeira locomotiva da Baldwin Locomotive Works foi adquirida pela Estrada de Ferro Dom Pedro II, em 1862, quando a companhia já estatal (imperial) substituiu a mão-de-obra inglesa e, consequentemente, a tecnologia empregada na construção da linha pela norte-americana.

Primeira locomotiva BLW de passageiro para o Brasil. American-Standard (4-4-0)
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Primeira locomotiva BLW de carga para o Brasil. Mogul (2-6-0).
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