sexta-feira, 25 de março de 2011

1986

Por: Welber Santos

Originalmente publicado no blog Trilhos do Oeste

1986 marca o momento em que a SPHAN inicia o processo de tombamento do Complexo Ferroviário de São João del-Rei, o trecho de 12km, mais as estações de Chagas Dória e Tiradentes, sob requerimento do PRESERFE/RFFSA. É o assopro após a mordida que levou à erradicação dos 200km entre Antônio Carlos e Aureliano Mourão em 1984. Em breve farei um post sobre todo esse processo e uma análise das duas conjunturas que, mal ou bem, é o microcosmo do processo de privatização da ferrovia no Brasil, na qual abordaremos o aspecto cultural e os conceitos que envolvem patrimônio, monumento e público/privado.

Por enquanto, deixo ao público a bela fotografia do meu amigo Benito Mussolini Grassi, uma figura ímpar no planeta ferrovia do Brasil.

Composição de dez carros puxados pela locomotiva RFFSA 68 atravessando o pontilhão sobre o Córrego Água Limpa

quarta-feira, 16 de março de 2011

O nº 1 da Número Um

Por: Welber Santos 

Originalmente publicado no blog Trilhos do Oeste 

“A primeira locomotiva a gente nunca esquece”, diria meu lado clichê.

Quando começaram os trabalhos de instalação da linha da primeira seção da E. F. d’Oeste, referente à ligação de Sítio, atual Antônio Carlos, com Barroso, a companhia encomendou suas duas primeiras locomotivas nos EUA e seus primeiros vagões nas oficinas da E. F. Dom Pedro II.
Para atender ao pequeno volume de transporte da estrada, foi escolhido um tipo bastante simples de locomotiva, em configuração já consagrada na conquista do Oeste americano. Nada mais justo do que reconhecer a rusticidade da ferrovia então em construção com a adoção do mais rústico material desenvolvido para os caminhos de ferro que ajudariam na colonização do velho oeste da América do Norte.
Pela ausência de indústria de bens-de-capital no Império do Brasil, restava para as companhias brasileiras a escolha da origem e do modelo a ser seguido para seu material rodante. Acredito que, pela robustez e simplicidade, além da similaridade do terreno e necessidades, o mais adequado seria mesmo a tecnologia norte-americana.
O tipo American Standard (4-4-0) foi então o encomendado para as oito primeiras locomotivas da Oeste, adquiridas entre 1880 e 1885. Dessas oito 4-4-0 chamadas American Montezuma, em homenagem ao soberano asteca, apenas uma foi preservada: a Baldwin Locomotive Works de placa de fabricação nº 5055, de abril de 1880. Todas as locomotivas que vieram entre 1880 e 1894 receberam nomes, que iam de topônimos a figuras ligadas à política ou à própria estrada. A nº1 da Oeste recebeu o nome São João d’El-Rei.

EF Oeste de Minas 1 BLW 5055 1880 762mm
Na fábrica em abril de 1880. Foto: Baldwin Locomotive Works.

1 1920
Em São João del-Rei por volta de 1920. Foto: Acervo NEOM-ABPF.

1 1930
Provavelmente no mesmo dia da imagem anterior. Foto: Avervo NEOM-ABPF.

1 1940 SJdR
Ao lado da rotunda, São João del-Rei, década de 1940. Foto: Acervo NEOM-ABPF.

1 1945 Divinópolis
Em Divinópolis em 1945. Foto: Acervo NEOM-ABPF.

1 1946 Estação São João del-Rei 22
Na década de 1940 a nº1 já era uma “heritage”, e curtia uma de xodó da ferrovia e dos ferroviários. Foto: Acervo NEOM-ABPF.

1 1958 Teste após reforma na estação de Santa Rita
Na Estação de Santa Rita (depois renomeada como Ibitutinga), 1958. Foto: Acervo NEOM-ABPF.

1 1958 SJdR 3
Comandando um trem que saía da Estação de São João em 1958. Foto: Acervo NEOM-ABPF.

1 1960 Estação São João del-Rei 21_1
Em 1960 esta locomotiva foi preparada para se aposentar e, ao contrário de suas semelhantes, foi escolhida para ser preservada como monumento. Aqui preparativos para a partida do que talvez (não há subsídios para confirmar a hipótese) tenha sido seu último trem. O maquinista foi o Sr. Isolani (segundo da esq. para a dir. sobre a locomotiva). Foto: Acervo NEOM-ABPF.

1 1970 em Belo Horizonte
Em 1970 já como monumento estático na sede da Viação Férrea Centro-Oeste, em Belo Horizonte. Foto: Acervo NEOM-ABPF.

1 1972 Belo Horizonte - Guido Motta
Em 1972, monumento estático na sede da Viação Férrea Centro-Oeste, em Belo Horizonte. Foto: Guido Motta.

1 1979 Voltando para SJdR
Mama, I’m coming home. Colocada na carreta que a traria de volta a São João del-Rei em 1979 para ser a principal peça do museu ferroviário que seria inaugurado em 1981. Para substituí-la na sede da SR-2 da RFFSA em BH a locomotiva RMV 20 (EFOM 46), que se encontrava em Lavras, MG. Foto: Acervo NEOM-ABPF (recorte de jornal)

1 1980 SJdR 6
Sob o olhar dos ferroviários, a espera dos preparativos que a levarão à sala em que será exposta como monumento. Foto: Acervo NEOM-ABPF.


Empurrada ao seu destino final pela RFFSA 58 para seu destino final. Foto: PRESERFE.

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No interior do Museu Ferroviário de São João del-Rei, principal peça. Foto: Jonas Augusto.

terça-feira, 15 de março de 2011

Blog sobre a EFOM

Aos aficcionados por trens, sobretudo aos remanescentes do vapor no Brasil, destacamos o blog "EFOM - A primeira de Minas". Um blog muito bem feito, conduzido por Thiago Lopes de Resende, onde são destacadas fotografias, lembranças e tudo que um férreo-fã tem a oferecer.

Vale a pena conhecer!

O link: http://efom-maria-fumaca.blogspot.com/

quinta-feira, 10 de março de 2011

10 mil visitas!!!


É com grande satisfação que comemoramos hoje, 10/03/2011, a marca de 10 mil visitas em nosso blog/site

Ontem iniciamos a utilização de domínio próprio o oestedeminas.org , mas a contagem vem desde o Blog da ASPEF, iniciado em novembro de 2009. Nesse período, foi criado o Núcleo de Estudos Oeste de Minas da ABPF, para o qual migramos e buscamos enriquecer o trabalho desta grande entidade de preservação ferroviária do país.


Os resultados de nossas pesquisas são divulgados aqui porque julgamos que o conhecimento não pode e não deve ficar restrito a círculos fechados ou engavetado. Ao contrário, para nós, conhecimento deve ser produzido e amplamente divulgado, incitando os debates, suscitando dúvidas e dando subsídios ou provocando novas pesquisas, o que é sempre saudável.


Agrademos a todos os visitantes e esperamos que continuem nos visitando.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Locomotivas (à vapor) alemãs na Rede Mineira de Viação - RMV

Por: Jonas Augusto Martins de Carvalho

     Apesar da maioria das locomotivas do parque de tração da RMV ser de origem norte-americana - leia-se Estados Unidos – houve uma parcela de locomotivas inglesas e alemãs. Neste artigo, serão abordadas as locomotivas de procedência germânica.

    Foram quatro os fabricantes que forneceram essas locomotivas, direta ou indiretamente, como será abordado adiante. Estes são: Berliner Maschinenbau Actien-Gesellschaft vormals Louis Schwartzkopff, o qual por razões óbvias iremos nos referir ao longo do texto somente como Schwartzkopff; Kraus & Cia; J.A. Maffei e Henschel & Sohn.

    Em 1912, a então Rede Sul Mineira - RSM adquiriu nove 2-8-0’s junto ao fabricante Schwartzkopff , numeradas de 210 a 218. Em 1939, as locomotivas foram renumeradas como 402 a 410, já na RMV. Em 1913, foram adquiridas mais quatro 2-8-0’s, que no entanto foram entregues diretamente a Estrada de Ferro Central do Brasil - EFCB provavelmente devido à algum acerto de contas entre as duas ferrovias. Posteriormente na EFCB elas vieram a receber os números 1221 a 1224, sendo transferidas à  Rede Ferroviária do Nordeste - RFN por intermédio do  Departamento Nacional de Estradas de Ferro - DNEF em 1955. Em 1922, mais cinco unidades idênticas foram adquiridas, numeradas de 250 a 254, que na RMV receberam os números de 411 a 415. Dessas locomotivas, infelizmente nenhum exemplar foi preservado.
 
- Locomotiva n° 402, ex nº 210. Foto: Acervo ABPF/NEOM 

A RSM adquiriu em 1919 uma pequena locomotiva do fabricante Krauss & Cia., rodagem 0-8-0T numerada como 240. Com a renumeração geral das locomotivas pela RMV em 1939 ela recebeu o número 154. Esta locomotiva não foi preservada.

Em 1920, a RSM adquiriu de “terceira mão” duas locomotivas tipo Mallet da Companhia de Mineração Santa Matilde, que por sua vez já as havia adquirido de “segunda mão” da Rhatische Bahn (Ferrovia Rética) na Suécia.Estas locomotivas foram fabricadas pela J.A. Maffei em 1891. Na RSM, receberam os números 241 e 242. Após a formação da RMV (Rede Mineira de Viação) em 1931, as duas 2-4+4-0 foram renumeradas como 331 (Sul) e 330 (Sul). Em 1939 apenas a n°330 recebeu o número 156 de acordo com o novo padrão de numeração das locomotivas. Nenhuma dessas locomotivas foi preservada.
- Locomotivas n° 330 e 241. Foto: Photo Abrahão, acervo ABPF/NEOM 

Já em 1925, a RSM adquiriu junto a Schwartzkopff duas 2-8-2, numeradas como 280 e 281, que ainda na RSM foram renumeradas como 310 e 311; na RMV se tornaram as nº  501 e 502. Seis 4-6-2 foram adquiridas neste mesmo ano, numeradas de 263 a 268, que na RMV eram as 304 a 309. A número 307 foi a única preservada dessas locomotivas, estando hoje na rotunda de São João del-Rei.
- Locomotiva n° 280, depois nº 310, por fim nº 501. Foto: Schwartzkopff, acervo ABPF/NEOM  

Nova encomenda à Schwartzkopff  em 1926, dessa vez foram três 2-8-2 numeradas de 284 a 286, ainda na RSM renumeradas de 312 a 314 e finalmente na RMV 503 a 505, e mais três 4-6-2 recebendo a numeração 269 a 271, na RMV 310 a 312. Dessa série adquirida em 1926, somente a RMV 505 foi preservada, e hoje está operacional na VFCJ-ABPF em Campinas-SP.
- Locomotiva n° 312, ex nº 271 em Três Corações, anos 1970. Foto: Acervo ABPF/NEOM 

Em 1927 a Schwartzkopff forneceu dez 2-8-2, numeradas de 315 a 324, na RMV 506 a 515. Adquiriu-se também cinco 4-6-2, numeradas de 272 a 276. Como a RSM possuía linhas “montanhosas”, o tipo 4-6-2 “Pacific” não era o ideal, tendo então a RSM vendido as números 273, 274, 275 e 276 à Oeste de Minas. Quando da renumeração da RMV em 1939, essas quatro locomotivas como eram da EFOM receberam os números inicias da série das 4-6-2, ficando então como 300, 301, 302 e 303. A única das 4-6-2 1927 que ficou na RSM se tornou a 313. Infelizmente nenhuma dessas locomotivas foi preservada.
- Locomotiva n° 506, ex nº 315 no abastecimento de óleo em Itajubá, anos 1950. Foto: Carlheinz Hahmann, acervo ABPF/NEOM 
 
A antiga Estarda de Ferro Paracatu – EFP – adquiriu em 1930 uma pequena 2-8-2 junto à Schwartzkopff, a qual recebeu o nº 60. Quando esta ferrovia foi incorporada à Oeste de Minas, essa locomotiva recebeu o n° 256. Em 1939 com a definição do padrão de numeração da RMV, esta locomotiva recebeu o n° 500.
- Locomotiva n° 60, depois nº 256, por fim nº 500. Foto: Schwartzkopff, acervo ABPF/NEOM  
 
Já em 1946, a RMV recebeu em troca de sete carros de passageiros com a Estrada de Ferro Vitória a Minas – EFVM três locomotivas tipo 2-8-2 “Mikado” fabricadas pela Henschel & Sohn em 1937. Já na RMV, seguindo o padrão de numeração das locomotivas, estas vieram a receber os números 527, 528 e 529, onde foram aproveitadas nos trens de calcário com destino às Siderúrgicas de Barra Mansa e Volta Redonda. Infelizmente, nenhum exemplar destas locomotivas foi preservado.

- Locomotiva n° 152 EFVM, depois nº 528 RMV. Foto: Henschel & Sohn, acervo ABPF/NEOM  

Portanto, no total a RMV possuiu cinqüenta locomotivas de procedência alemã, sendo quarenta e quatro Schwartzkopff, três Henschel & Sohn, duas J.A. Maffei e uma Krauss; sendo que as Henschel e as J.A. Maffei foram adquiridas de segunda e terceira mãos. De todas essas locomotivas, apenas uma 4-6-2 (RMV 307) e uma 2-8-2 (RMV 505) foram preservadas. Obs.: não foram consideradas aqui as 4 2-8-0"s de 1913, pois as mesmas foram recebidas pela EFCB, nunca tendo chegado a RMV.
- Locomotiva n° 307, ex nº 266 preservada na rotunda de São João del-Rei. Foto: Acervo ABPF/NEOM 

- Locomotiva n° 505, ex nº 314, original n° 286 mantida em operação pela ABPF em Campinas/SP. Foto: Acervo ABPF/NEOM